A Síndrome de “Tom e Jerry”

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O termo “Síndrome de Tom e Jerry” é utilizado para denominar uma síndrome caracterizada por convulsões desencadeadas por estímulos sonoros em gatos. Esse quadro é encontrado mais comumente em animais idosos, e as raças birmanês e siamês parecem ser mais afetadas, embora há relatos em gatos sem raça definida também. Acredita-se haver alguma predisposição genética.

Na maioria dos casos, os sons podem desencadear primeiramente mioclonias, que com o prolongamento do estímulo sonoro surgem as convulsões e movimentos tônico- clônicos. Assim a amplitude do som também é importante para a intensidade das crises convulsivas. Os animais podem ou não perder a consciência.

Alguns dos sons já relatados, que podem desencadear a crise são:  o amassar de papel alumínio ou saco plástico, o tilintar de uma colher de metal tocando recipiente de vidro, o click de teclado de computador ou mouse,  o tilintar de moedas ou chaves, o martelar de um prego, o estalar da língua do proprietário, o som de retirar comprimido de embalagem, mensagens de texto ou alarme digitais nos celulares,  som de velcro, o click ao acender o fogão a gás , água corrente, o som criado pela um cão coçando seu pescoço e tilintando sua coleira, impressora de computador, tijolos  sendo batidos juntos, caminhar sobre um piso de madeira com os pés descalços ou sapatos e grito agudo de criança.

Geralmente não há associação com enfermidades infecciosas, como toxoplasmose e retroviroses . Algumas doenças crônicas podem coexistir, como a Doença Renal Crônica, Diabetes, cardiomiopatias e hipertensão, entretanto se deve principalmente à faixa etária dos animais acometidos e não por serem causas diretas do problema. Um dado interessante foi relatado por pesquisadores (Lowrie et al, 2016) em que cinquenta por cento de animais incluídos em seu estudo ,os proprietários relataram que eles tinham sinais de deficiência auditiva. Outro sinal que pode acompanhar a síndrome é o excesso de lambedura no corpo e patas.

O tratamento anticonvulsivante tradicional à base de fenobarbitol é geralmente ineficaz. Outros fármacos estão demonstrando melhores resultados, como o leviracetam. Na maioria dos casos o quadro não é progressivo, ou seja, não há uma piora na duração ou frequência das convulsões, sendo dependente da presença de estímulo ou não, podendo o gato ter uma boa qualidade de vida.

A alusão ao desenho “Tom e Jerry” se deve ao grande estímulo que o Tom apresenta em só escutar o barulho do Jerry, logo se desesperando para capturar o ratinho. Entretanto, diferentemente do desenho, queremos que o gato tenha sempre um destino melhor, assim, quadros de convulsões reflexas devem sempre ser acompanhadas e controladas pelo médico- veterinário.

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