Cardiomiopatia Hipertrófica Felina-Quando e com quê tratar?

A cardiomiopatia hipertrófica é a disfunção cardíaca mais comum na clínica de felinos.É definida como uma hipertrofia do ventrículo esquerdo,na ausência de outras doenças sistêmicas predisponentes,como o hipertireoidismo.A hipertrofia pode ser generalizada ou focal.

A doença é determinada geneticamente,principalmente no Persa,Maine Coon e possivelmente Ragdoll,mas também é comum em Pêlos Curtos Domésticos.Acredita-se que a transmissão é autossômica dominante,que ocasionaria uma alteração genética na Beta-miosina do músculo cardíaco.
A sintomatologia pode ser discreta,sopro cardíaco de grau variável,ritmo de galope,arritmias.Mas muitas vezes o gato apresentará quadros emergenciais,como dispnéia,cianose,efusão pleural,claudicação,paresias e paralisias,devido a tromboembolismos sistêmicos.
O tratamento é baseado principalmente em fármacos como diuréticos,inibidores de ECA,bloqueadores de cálcio,beta-bloqueadores e o uso de ácido acetilsalicílico,heparina,clopridogrel para a prevenção do tromboembolismo.Entretanto ,não há ainda um consenso dos reais benefícios de cada medicamento,em determinadas fases da doença,e principalmente se o tratamento consegue inibir o progresso da hipertrofia,aumentando a sobrevivência do paciente felino.
Um artigo muito interessante, publicado este ano(Rishniw,M. , Pion,D.P.),no Journal of Feline Medicine and Surgery,reuniu uma pesquisa feita nos Estados Unidos entre cardiologistas veterinários e não-cardiologistas,onde respondiam um questionamento de quando começavam a tratar a CMH,com quê, e porquê usavam determinada terapia.A doença foi dividida clinicamente em várias fases,em dois grupos:Doença Subclínica,apenas com murmúrio,com hipertrofia simétrica a assimétrica,de média a moderada do ventrículo esquerdo;e a Doença Clínica,com edema pulmonar,taquicardia e dispnéia,com alterações hipertróficas severas e a presença de trombos.
Nesse estudo,cerca de 50 a 70% tratam a enfermidade nas fases iniciais,quando há a presença de sopro e hipertrofia moderada.Os principais fármacos utilizados foram:Inibidores de ECA,bloqueadores de canais de cálcio e beta-bloqueadores,sendo que 27% destes tratam com mais de um fármaco.
Nas fases mais graves da doença subclínica,com um marcado aumento também de átrio esquerdo,a grande maioria(98%) já inicia a terapia,inclusive com medicação antitrombótica(84%),utilizando a aspirina(66%) ou o clopidogrel(33%).
Na doença clínica,com a sintomatologia clássica de dispneia,taquicardia e edema,o tratamento é prescrito por 100% dos entrevistados,onde foi prescrita rotineiramente a furosemida associada com um outro fármaco,onde 98% também prescreve uma terapia antitrombótica.
Os beta-bloqueadores foram os mais indicados em todas as fases da doença em comparação com os bloqueadores de canal de cálcio(diltiazen).
As principais fundamentações para a prescrição entre os entrevistados foram a prevenção do tromboembolismo(em todas as fases) e inibição da progressão da doença somente nas fases iniciais.
A maior parte dos clínicos justificam a prescrição do tratamento por experiência favorável com o protocolo no controle do progresso do quadro,pela recomendação de especialistas e consensos,pela extrapolação de estudos em outras espécies ou até por dar uma “satisfação” ao proprietário,devido à pressão dos mesmos.
O que observou-se também é que ,mesmo a maioria acreditando que a terapia pode ser benéfica nas fases iniciais,o tratamento mais agressivo,com associação de fármacos,só é instituído nas fases mais graves.
O tratamento deve ser iniciado de acordo com cada quadro ou animal acometido,devendo ser prescrito com critério,principalmente com ajuda do ecocardiograma.Deve-se ter em mente quais benefícios pode trazer a terapia e levar-se em conta a disponibilidade e a cooperação do proprietário,que é de fundamental importância.
Disponibilizo o artigo para os colegas,só me pedirem por email.Abraço!
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