Corpo Estranho Linear

Reginaldo Pereira
” Os opostos se distanciam um do outro, não por linha reta, mas em um círculo e, por isso, os extremos sempre se tocam e se tornam iguais.”  José Pedro Andreet

   A grande seletividade nutricional dos gatos e sua cuidadosa mastigação tornam esses animais menos predispostos a ingestão de corpo estranho. No entanto, a ingestão de corpo estranho linear, que se classificam como pedaços de barbante, linhas de costura, pano e fio dental, são mais comumente visto nessa espécie podendo ser classificado como um distúrbio comportamental.


Como se desenvolve?


   A ingestão de corpo estranho linear acontece mais facilmente em gatos do que em cachorros, pois a medida que eles mastigam ou brincam com pedaços de lã, fio ou qualquer outro corpo estranho linear, as papilas presentes na língua dificultam a expulsão do material, portanto acabam engolindo-o. É comum que nos primeiros dias uma parte do objeto fique preso na base da língua ou no piloro e o restante se desloque para o interior do intestino. A medida que as ondas peristálticas se acentuam o objeto tenta avançar no trato gastrointestinal e pode acabar causando obstrução parcial ou total, laceração da mucosa gastrointestinal com posterior peritonite e intussucepção.


Sinais clínicos


   Os sinais clínicos dependem da localização do tempo e da integridade vascular do segmento envolvido, no entanto sinais como anorexia, disfagia, odinofagia, regurgitação, dispnéia, vômitos, inquietação, letargia são os mais comuns, podendo , ainda,ter o risco de ruptura gastrointestinal, peritonite e morte.


Diagnóstico


   A anamnese, os sinais clínicos e o exame físico bem apurado podem levar a um bom diagnóstico, principalmente em casos que o corpo estranho seja palpável, no entanto estes devem ser associados aos exames de imagem do trato gatrointestinal, como radiografia, ultra-sonografia e endoscopia, que permitem uma maior precisão, já que muitas vezes determinam o local, a causa da lesão e a gravidade do processo. No exame radiográfico contrastado e na ultrassonografia pode-se ver o intenso pregueamento intestinal, com um aspecto de “colar- de- pérolas” na imagem, o que é patognomônico.


Tratamento


   O tratamento varia de acordo com o estado do animal, podendo ser conservador em casos recentes de ingestão em que o corpo estranho ainda esteja preso na base da língua, sendo nesses casos indicado o corte do objeto e monitoramento para certificar-se da sua passagem pelo intestino sem maiores dificuldades. É importante salientar que não é recomendado puxar o corpo- estranho linear, pois a chance de laceração e lesão gastrointestinal é grande. A retirada deste através da endoscopia também é uma alternativa. O procedimento cirúrgico, como gastrotomia e ou enterotomia é indicado caso não seja observado melhora dos sinais clínicos. Casos que são diagnosticado um distúrbio comportamental é necessário além do procedimento cirúrgico mudanças nos hábitos alimentares, comportamentais e até mesmo uso de medicamentos.


Prognóstico


   O prognóstico depende do conteúdo ingerido e do grau de acometimento do animal, podendo ser classificado como bom, caso não haja peritonite séptica grave ou se não houver necessidade de uma extração intestinal maciça, sendo estes casos mais relatados em gatos que em cães.


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