Exodontia como Tratamento da Estomatite- Gengivite Felina

Conforme abordado em post anterior( http://catus-medicina-felina.cms.ariaserv.com/gengivite-estomatite-felina/ ), a gengivite- estomatite felina é um quadro inflamatório grave da cavidade oral de gatos, que leva a um grande desconforto e dor, dificultando a mastigação e ingestão de alimentos, diminuindo bastante a qualidade de vida do paciente felino. O tratamento ainda é controverso, sem grandes alternativas eficazes. Entretanto, a exodontia total tem demonstrado que ainda é  o procedimento com melhores resultados, muitas vezes podendo-se poupar os dentes incisivos e caninos.

A dentição normal de um gato adulto é composta por 30 dentes, sendo constituído de 12 incisivos( 6 superiores e 6 inferiores), 4 caninos, 10 pré- molares(4 inferiores e 6 superiores) e 4 molares( 2 superiores e 2 inferiores). Estes devem começar a irromper por volta dos 5 meses de idade. É fundamental o conhecimento da anatomia desses dentes, principalmente porque a maioria dos pré-molares e molares possuem raiz dupla, sendo que dois molares superiores possuem três raízes. Estas particularidades  são importantes para a técnica correta da exodontia, aonde os dentes devem ser incididos com uma broca e caneta odontológica de alta rotação, a fim de “transformá-los” em dentes de uma só raiz, fascilitando o processo de luxação e extração, sem fraturar raízes e danificar as estruturas ósseas adjacentes. Não deve permanecer nenhum fragmento de raiz nos alvéolos remanescentes, somente assim é garantida a diminuição do processo inflamatório oral. Assim, o uso de equipamentos odontológicos próprios para a espécie felina é essencial para uma técnica segura e correta.

Acredita-se que o efeito benéfico da exodontia nesses animais deve-se ao fato de que ocorra uma diminuição  da carga antigênica na cavidade oral, incluindo a própria microflora bacteriana, placas e dentes com lesão de reabsorção, levando a uma amenização dos sinais inflamatórios. Diversos estudos apontam uma melhora de 80% dos sinais clínicos, variando de animal para animal, de acordo com as doenças associadas ou etiologia. Comportamentalmente, esses gatos demonstram maior satisfação ao contato com seus proprietários, melhoram o grooming, aumentam o apetite e ganham peso, principalmente pelo alívio da dor, além de que necessitam de uma menor dose ou frequência de medicações, como os corticóides. Incrivelmente estes pacientes se alimentam bem melhor do que antes, quando tinham a dentição completa.
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