O Complexo Granuloma Eosinofílico

Por Fernanda dos Santos Alves*

Apesar dos recentes progressos na dermatologia felina, o complexo granuloma eosinofílico (CGE) segue sendo uma síndrome mal conhecida e, portanto, origem de muitas falhas e erros terapêuticos. Diversos relatos de ocorrência relacionados e um estudo do desenvolvimento da doença em uma colônia de gatos livres de patógenos indicam que, pelo menos em alguns indivíduos, predisposição genética (resultando talvez em uma disfunção hereditária da regulação eosinofílica) é um componente significativo da doença. São observadas três formas distintas dessa síndrome: granuloma linear eosinofílico (granuloma colagenolítico), placa eosinofílica e úlcera indolente ou eosinofílica.
A placa eosinofílica é uma reação de hipersensibilidade mais frequentemente a insetos, com menor freqüência a alimentos e alérgenos ambientais. O granuloma eosinofílino possui múltiplas causas, incluindo hipersensibilidade e predisposição genética. A úlcera indolente pode ter ambas as causas, genética e hipersensibilidade.
Relata-se que a placa eosinofílica ocorre em felinos de 2 a 6 anos de idade e que para úlcera indolente a predisposição por idade não foi reportada. A predisposição por fêmeas tem sido relatada somente para a úlcera indolente. Lesões de mais de uma síndrome podem ocorrer simultaneamente e podem desenvolver-se espontânea e agudamente. Além disso, relata-se que a incidência sazonal é comum.
As características clínicas das placas eosinofílicas são placas e manchas alopécicas, eritematosas e erosivas que, em geral, ocorrem nas regiões inguinal, perineal, lateral da coxa e axilar, sendo frequentemente úmidas ou cintilantes; pode ocorrer eosinofilia circulante. Nos granulomas eosinofílicos, ocorre uma orientação distintamente linear na região caudal da coxa, medial dos membros anteriores ou como placas individuais ou coalescentes em qualquer região do corpo. Apresentam-se ulcerados, com um padrão ulcerado ou “de paralelepípedo”, brancos ou amarelados; pode ocorrer tumefação do mento e da borda do lábio, do coxim plantar, dor e claudicação, ulcerações na cavidade oral (língua, palato, arcos palatinos) e também associa-se a eosinofilia circulante. As úlceras indolentes classicamente são ulcerações elevadas e endurecidas restritas ao lábio superior e adjacentes ao philtrum ou adjacente aos dentes caninos superiores. A periferia fica saliente e circunda uma superfície ulcerada amarelo-rosada. As lesões geralmente são dolorosas ou pruriginosas.
Os diagnósticos diferenciais para lesões não responsivas incluem pênfigo foliáceo, dermatofitose, infecção fúngica profunda, demodicose, piodermatite, adenocarcinoma metastático, linfoma cutâneo e outras neoplasias. O diagnóstico é feito baseando-se no exame clínico, citologia e histopatologia. São recomendados ainda hemograma, bioquímica, urinálise e sorologia para FIV e FeLV.
A maior parte dos pacientes pode ser tratada em ambulatório, a menos que desenvolva doença oral grave. O tratamento recomendado é a imunossupressão com corticóides orais até o desaparecimento das lesões, quando deve-se fazer o desmame lentamente. Na falta de respostas, pode-se combinar corticóides e agentes imunossupressivos seletivos, por exemplo, para lesões graves, clorambucil. Pode-se usar ainda ciclofosfamida. O uso de antibióticos (trimetoprima-sulfadiazina, cefalexina, amoxicilina – clavulanato, cefadroxil) é eficaz em alguns casos e preferível ao uso de corticóides. A resposta pode ser resultado da atividade anti-inflamatória dessas drogas em vez de suas propriedades bactericidas principais. Como relatos ocasionais de sucesso, relatam o uso de radiação, excisão cirúrgica e imunomodulação.

*Mais uma grande contribuição da Dra.Fernanda,CRMV-MG 9539
Med.Veterinária Esp.em Clínica e Cirurgia de Peq.Animais
Muito Obrigado Fê!

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